2 de julho de 2009

DIREITO DE ANTENA

Como estamos em época de pré-campanha eleitoral para autárquicas e legislativas (Deus te ajude, Santana!) e não quero ser acusado de parcialidade, aqui publico este vídeo, algo datado, mas uma justa homenagem dos Contemporâneos ao esforço cíclico dos militantes do psd. Uma sentida homenagem, 2 em 1, ao partido e ao Michael Jackson que Deus tem (e Ele que ajude, lá de ciiiima, Santana!... Ah, espera, já tinha dito isto...)

1 de julho de 2009

KJFG

É um dos meus filmes favoritos, o "KJFGnº 5" (o mais parvo, pelo menos). E isto é uma variação da mesma série.
Lol!

TAMBÉM CARMONA SE PERFILA (O QUE PARA O PESSOAL QUE IA À ESCOLA ANTES DO 25 DE ABRIL E TODAS AS MANHÃS SE PUNHA DIANTE DE ALGUMAS FOTOGRAFIAS OFICIAIS, É UMA JUSTIÇA POÉTICA) PARA A CML.

Atendendo ao seu desempenho em Lisboa, em 2006, receia-se o pior...

SANTANA APRESENTA HOJE (OUTRA VEZ) A SUA CANDIDATURA À CÂMARA

Agora que se lembrou de fazer as contas para descobrir que o buraco de milhões que deixou, afinal, não tinha sido ele a começar a cavá-lo (demorou um bocadinho, mas já se sabe que entre eventos sociais e ir à carpintaria arranjar a cara de pau, o tempo foge...) e que já todos os portugueses esqueceram a sua actuação feita à pala do Sporting, do seu gosto pela música de cordas de Chopin e de ter sido o primeiro chefe de governo a ser despedido desde o 25 de Abril, está de volta.
Pela minha parte concordo. Acho que há muito boa gente, entre a Lapa e as vivendas do Parque das Nações que se revêem na sua candidatura.

Infelizmente, esta notícia pode provocar outro tipo de reacções a nível internacional...

30 de junho de 2009

ATÉ ESCREVI NAS COSTAS DE UM PAPEL

...para não me esquecer, de tal maneira a frase de um dos responsáveis da comissão de trabalhadores da fábrica de Palmela me pareceu certeira:
"Os sindicalistas tentam não perder tudo o que conseguiram com o PREC... e o patronato quer recuperar tudo o que perdeu com o 25 de Abril. Por isso não se entendem"

Onde se prova que numa frase se pode sintetizar os movimentos laborais em Portugal. Não sei como é que o senhor se chama, mas merecia uma placa num sítio público.

28 de junho de 2009

ENTRE O QUE SOU E O QUE ESCREVO

"Devias escrever coisas cómicas", dizem-me às vezes. E eu concordo. Gostava, até. Seria mais feliz enquanto o fizesse. O problema é que a gente não escreve o que quer. Dá voz a coisas que não são nossas, a pessoas que não existem neste mundo, mas ainda assim "são". Confiam em nós para repetirmos palavra por palavra o que nos sussurraram. Mesmo as coisas dramáticas e, frequentemente, desagradáveis.
Gostava mesmo de escrever romances só com coisas alegres. Suspeito, contudo, que o mundo das coisas invisíveis é capaz de ser mais sombrio e inquietante do que gostaríamos de admitir.
Escrevo o que posso. Mas, sim, gostava de me rir enquanto teclo.

26 de junho de 2009

DE BARCELONA A BILBAO

1. Estava calor na cidade grande. Mas chega-se lá sem custo, deslizando pelo autocarro que nos deixa à porta do Hotel, ou quase, e depois a pé, de Metro.
Durante muito tempo achei que Barcelona tinha menos graça que Madrid. Era o único a pensar assim (tirando os madrilenos), mas persisti. A cidade era interessante, eu é que por esses dias era outro.


As ramblas, inevitáveis, a atrair turistas como ímans. A comê-los nos preços dos restaurantes e das carteiras que subitamente voam, também.
Por todo lado, Gaudí. As casas onduladas, os animais bizarros, estilhaçados a porcelana colorida.
Andar. Andar

2. Ninguém no seu juízo normal iria de propósito a Bilbao, não fosse o museu Guggenheim. Mas sem razão, como adiante se verá. E sim, vale a pena pela arquitectura do Gehry. Um bocadinho à semelhança do maluco de Barcelona, também aqui as formas são desafiadas. A titânio, claro, que ele é mais fino (por alguma razão atraiu um palhaço-presidente de câmara...). Perguntamo-nos quanto terá ele recebido por aquela obra. Muito, de certeza. Mas valeu a pena, por nos transmitir a constatação de que o homem pode pensar grande e sair-se bem.
No interior, as obras sucedem-se. Destaque para a instalação,em que colunas luminosas passam poemas em letras vermelhas que, por sua vez, se reflectem a azul ao fundo.Mas são tantas as coisas... É bom, visitar grandes museus de arte contemporânea (uma passagem rápida pelo Rainha Sofia, um dia depois, ajudou-me a verificar isso) para se perceber a diferença entre o talento e o bluff. O que é bom salta aos olhos, não interessa se foi feito agora mesmo ou há centenas de anos. Do meu ponto de vista, o contrário também.



Bilbao é sossegado como Braga ou Viseu. Sem os desvarios arquitectónicos da primeira, à vista, pelo menos. O museu de Belas-Artes tem uma boa colecção de pintura que justifica completamente a visita. E são simpáticos, com aquela bonomia da província nortenha que sabe bem. Recomenda-se.

19 de junho de 2009

DO IRÃO

A Pérsia é difícil de controlar. O pêlo na venta e a força imparável é anterior a Alexadre. Daí que os últimos 30 anos de ditadura não tenham sido fáceis de manter para o regime ultraconsevador dos barbudos. Fizeram as mulheres recuar séculos (ou tentaram), calaram todas as vozes não só que apontavam, mas que viviam na modernidade e por aí fora. Fizeram-no como todas as ditaduras, à força de raptos, prisões ilegais e tortura. Ler Persópolis, para entender melhor a coisa.
Entrevistado por uma mulher (bem-feito), na Sic, o vice dos negócios estrangeiros, que tinha vindo visitar a aldeia Tuga em busca de mais dinheiro (também vieste bater a boa porta, vieste...) lá foi respondendo à "incompreensão ocidental do seu povo, nos últimos 30 anos". Interrogado sobre a razão porque permitiam as autoridades que mulheres fossem lapidadas até à morte, o homem lá encolheu os ombros e referiu que os juízes locais "até davam indicações para que a sentença (dada por eles?) não fosse executada. Mas que "era um direito das famílias, por ser crime de honra...". Ficamos sem saber se ele pessoalmente estava de acordo, mas, de certeza, que não era coisa que o chateasse por aí além.
E há outros momentos de grande justiça, basta dar uma vista de olhos pela net...
É por tudo isso que os muitos milhares de manifestantes que arriscaram a vida nas ruas de Teerão significam muito mais do que possa parecer.

Ps: E não haverá um país que apedreje (vá lá, até que lhe venha a razão, pelo menos...) gordos estúpidos que contribuem para a opressão dos seus povos em nome do seu Deus particular?




(É este o pequeno detalhe democrático que não chateia o senhor)



(imagens da versão de "Will & Grace" no Irão)

18 de junho de 2009

BANCO DE PORTUGAL OU ALARVEIRA TEM DOIS SENTIDOS

O governador do Banco de Portugal veio, depois de levar porrada no parlamento pelo penteadinho do cds (o partido que mais virgens tem, nos homens, pelo menos, deduzo ser por isso que adora fazer "cara séria"...) veio prometer um novo rumo. Segundo ele, daqui para a frente vão começar a controlar os bancos de forma a que as falcatruas sejam menores. Para isso, vão... fazer o mesmo que o ano passado: verificar 10 bancos. Até já começaram a dizer quais. Assim, sempre dá tempo a que maquilhem as manobras com paraísos fiscais.
Sabemos que Vitor Constâncio é apenas o rosto que encima a pilha de incompetentes ali produzida pelos vários governos psd e ps. E que provavelmente estaria descansado, até agora, ao ir para casa todos os dias, no carro de alta cinlindrada, com motorista pago por nós, seguro de que mereceria os (creio) 17.000 euros mensais, além do subsídio de Natal e de férias no mesmo montante. Mas, não lhe passará pela cabeça que o seu indecoroso salário num país em que milhares de pessoas passam mal todos os meses, a ganhar menos do que o salário minimo, justificaria outra atitude?
Não há nada de pessoal nisto, mas um pingo de vergonha na cara, seguido de um pedido de demissão só lhe ficaria bem.

ps: claro que Sócrates tem razão ao admirar-se com a forma simpática com que os ex-barões do psd foram tratados pela mesma comissão de inquérito que agora se mostra tão "firme" no chatear de Constâncio. Deve ser por pensarem que só por acaso não são eles a estar ali com a careca à mostra.

15 de junho de 2009

RELEIO ESTA PASSAGEM DO ROMANCE...

"Foi nesse instante que se lembrou do que o pai costumava dizer quando voltava da caça: Os bichos andam por lá, mesmo se a gente não os vê. Sempre. Escondidos no meio das ervas, enfiados em tocas, emboscados no que podem. Por isso, só o que resta a um homem é pegar na cartucheira e no peso das coisas que carrega e meter-se ao campo. E são os animais que acabarão por se vir matar contra a espingarda."

...E é daí que que volto a escrever.

12 de junho de 2009

ESTÁ CALOR...

O romance caminha lentamente por cima da mesa da sala. Volta e meia vou fazer alguma coisa que me distraia, que afaste o sono.Depois volto à escrita.
O dia passa lá fora. Penso que seria boa ideia ir à piscina, mas a inclinação da rua e a perspectiva de ter que desencantar o equipamento, algures, faz com que a coisa se vá adiando. Ponho personagens a comer no meio de campos secos, claro. Esperava-se o quê de um escritor ensonado de calor?
Gosto do Verão.
Não gosto do Verão.

8 de junho de 2009

ELEIÇÕES EM PORTUGAL

Há pessoas que se interrogam sobre a forma como foi possível fazer uma revolução (quase) sem sangue em Portugal, em 1974. E a resposta é relativamente simples:
somos um povo danado para a alegria e que nunca se convence da derrota!
Basta ver o contentamento dos partidos políticos, ontem, após os resultados: ganharam todos. Mesmo os que perderam. Há sempre uma coisa positiva ou negativa para dizer num país de faz-de-conta.
Foi bonito, até...

6 de junho de 2009

KUNG-FU

Lá morreu mais um herói televisivo da nossa infância longínqua, David Carradine, também conhecido como "Gafanhoto". O Sinal do Dragão (na versão portuguesa) era muito apreciada, e aumentou substancialmente o interesse pelas artes marciais, não mencionando brincadeiras entre os putos que acabavam, naturalmente, em porradaria mútua.
Morreu em Banguecoque, sufocado (embora, provavelmente, contente). Cada um vai como pode, desta para melhor. Mas esperava-se mais resistência do homem capaz de aguentar uma braseira de ferro com dragões entre os braços...

Ps: e onde se prova que até a televisão pode se premonitória.

3 de junho de 2009


CEREJAS

Chegam-me das Beiras, deliciosas e autênticas, com aquela evidência que na cidade se extinguiu. Umas puxam as outras, a barriga é que padece. Não interessa. Chegam em sacos, vermelhas, com folhas verdes, irmãs mais velhas a assegurar que serão comidas com dignidade. Secam-se as irmãs, agarradas aos tronquinhos, enquanto elas dançam e se somem pelas nossas bocas abaixo...
NA CASA DE BANHO...

...leio no suplemento Ipsilon, sobre uma "revelação" do fado. Uma maravilhosa rapariga de 24 anos, blá, blá. Não a conheço, mas terão por certo razão: aos 24 anos tudo em nós é revelação. E, claro, nos breves momentos em que resplandecemos, inconscientes, senhores do mundo por um instante, atraímos à nossa volta toda a espécie de mariposas. Algumas escrevem em jornais.
Nós, os tugas, só admiramos a "revelação", a"surpresa/pedrada-no-charco", a novidade com prazo, em resumo. Quando as cantoras crescem e querem mostrar novas coisas, afinal já não são assim tão boas, nem tão interessantes. Os mesmos que lhes disseram que elas (e, frequentemente, as suas pernas - virtuais, claro) eram "sublimes", já passaram ao prato seguinte.
No fundo, não passamos de uns hippies de cidade a saltitar, ora deliciados ora a torcer a boquinha, por pomares de fruta verde.
Coitada da fadistinha. Coitada.

27 de maio de 2009




O VÍCIO DO PINGUEPONGUE!
Mais valia largar-me a fumar, diabo de cegueira!!
SANTA CATARINA

Hoje dei o meu testemunho, num documentário brasileiro, sobre as ligações entre os Açores e o estado de Santa Catarina. Foi uma conversa com o mar atrás, a lembrar a possível razão das similitudes entre os povos dos dois lados do Atlântico. Além da gastronomia, das tradições culturais e religiosas, claro.
Fica-se sempre bem, quando se fala de coisas de que a gente gosta.

24 de maio de 2009


ARENA

São 19.45h. Dentro de 15 minutos, as televisões portuguesas vão anunciar que o filme ARENA de João Salaviza ganhou a Palma de Ouro de Cannes.
Eu sabia, quando seleccionámos o filme para estrear no Indie, que se tratava de um belo trabalho deste jovem realizador. Também o avisei, após a selecção em Cannes que bastaria isso para que o circo lhe caísse em cima. Faz parte da coisa. Bom, calculo que as coisa vão aquecer para ele, ainda mais, a partir deste momento.
Estou muito contente, é um miúdo com ideias e modesto. Coisa mais do que rara: raríssima, no cinema português. Parabéns, João!
AMOR DE PERDIÇÃO

Para quem não viu, torna-se urgente não perder esta versão cinematográfica, de Mário Barroso, do romance de Camilo.
A fotografia, absolutamente soberba, como de costume (prejudicada, aqui e ali, pelo uso do vídeo em detrimento do 35mm, mas ainda assim excelente).
Os actores jovens estão formidáveis, com destaque para o protagonista. Há um ou outro canastrão como o Vírgilio Castelo ou o Rui Morrison (spervalorizado, no meu enteder), mas nem assim o filme se escangalha.
Infelizmente, para quem viva em Lisboa, só resta a projecção no cinema Nimas: em cópia rasca de vídeo, com a forma de um trapézio que faria corar qualquer exibidor que não fosse Paulo Branco. Pedir 6 euros por uma projecção de tão baixa qualidade é um bocado falta de vergonha, para não dizer outra coisa. Mário Barroso, merece muito mais do que este produtor/exibidor, mas isso é, claro, um problema seu,
A nós, resta-nos aplaudir este excelente filme.

22 de maio de 2009

CHIC A VALER

Os polícias desciam a avenida entoando cantos futebolísticos, quando passou a Bárbara Guimarães.
"Bárbara! Bárbara!", gritaram excitados.
Ela, coitada, sorriu e lá passou pela turba.
Em seguida, eles rebentaram em "Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente, Imortal!!!
Está certo.
MUDE
Abriu, ontem, o museu do design, na baixa de Lisboa.
Não devo ter percebido qualquer coisa... Por exemplo, por que razão estão as peças expostas numa casa em obras?
É que se me dizem que aquilo é para ficar assim e que pagaram a um macaco qualquer (de nome muito cotado, claro) para fazer aquela merda, vou ficar um bocado chateado. Já nem digo em nome do bom-gosto, mas do mais elementar bom-senso... Com artistas a passar fome, penhorados pelas finanças, pagar por aquilo, é, simplesmente, ofensivo. Mas devo estar enganado.
Alguém que me esclareça, por favor.
SOBRE A PROFESSORA DE ESPINHO

Vi agora o video com a gravação da senhora e resolvi substituir o que disse. De facto, o que referi antes, sobre as razões porque os pais se indignam e movem, mantém-se para a generalidade das questões e os vídeos em baixo, mantêm-se para aquilo em que se tornaram as salas de aula. Contudo, e como bem me chamaram a atenção (obrigado pelos comentários, que entretanto desaparecem, mas que registo) o problema ali é outro. Uma professora desequilibrada, que não deveria estar a ensinar e ainda não foi para casa.
Há muitos casos assim. Uns por falta de formação, a maioria, de vocação, e uma quantidade crescente que, simplesmente, se está a passar. Era preciso ver caso a caso e tomar as medidas necessárias. O que não acontecerá tão cedo, claro.




ou isto...

17 de maio de 2009

PARA QUÊ UM MINISTRO DA CULTURA?
... se cada vez mais os portugueses confundem ruído com cultura?
De que serve pagar a alguém, se ela não se chega à frente para dizer às pessoas: "No que toca ao Cinema e à Literatura, só para falar de duas das coisas, há bom e mau, abram os olhos!"?
Queremos lá saber se vamos ter um museu dos coches mais ou menos luxuoso, quanto há milhões de portugueses que nunca ouviram falar em Ruy Belo ou em José Rodrigues Miguéis?
De que serve pagar um motorista a uma pessoa que não vai ter com os pintores, escritores ou dançarinos para lhes dizer: "O tempo é de crise, o engenheiro não tem dinheiro para desperdiçar com coisas desnecessárias, a saber, a Arte, mas eu estou convosco e vou passar a notícia da necessidade de vos manter a trabalhar"?
Digam-me, vocês. Pelo que me toca, pode começar a poupar-se desde já com a sua extinção definitiva.
PORTO SANTO

Nunca ali tinha ido. Há muito que os amigos me prometiam areias douradas e um mar azul-turquesa. Era tudo verdade. Isso e mais a vegetação rasteira e os pássaros e insectos que por ali vivem, estranhamente perto.
A simpatia das pessoas da ilha, também.
Mas percebe-se que o "atraso" económico se deveu aos mais de 20 anos em que a ilha votou diferente do resto da Madeira (creio que no Ps, não tenho a certeza). Não é preciso um panfleto para sentir o garrote que a ditadura Jardim e a sua corte de sanguessugas deverão ter infligido a esta ilha, que tem tudo para ser extraordinária. Desde 97, a cãmara é PSD,deduz-se que a partir daí algum do dinheiro que alimenta o reino das bananas ali terá chegado.
Mas, assim de repente, tenho dúvidas que a burguesia funchalense abra mão da sua colónia... de férias e deixe que Porto Santo brilhe pelas suas belezas naturais intocadas; que lhe permita progredir de forma ecologicamente equilibrada, sem o cimento que destruiu quase toda a encosta sul da principal ilha do arquipélago.
A ver vamos, como diria o cego.

8 de maio de 2009

FEIRA DO LIVRO

Entro nela sempre contente. No meio das acácias e da relva. Mas à medida que atravesso o ruído dos pavilhões (melhorados, é certo) e desço pelo supermercado Leya, fico cada vez mais deprimido.
É como visitar uma amiga com uma doença incurável e para quem imaginamos sempre melhoras improváveis...
URBANO, OBRA COMPLETA

Saiu mais um volume da "Obra Completa" de Urbano Tavares Rodrigues.
Desta, vez, encontramos reunidos num só volume, "Uma Pedrada no Charco", "As Aves da Madrugada", "Bastardos do Sol" e "Nus e Suplicantes". Este último título corresponde à 1a edição (nas versões seguintes, o final aparece alterado).
Há cada vez menos desculpas para passar ao lado de um autor fundamental da Literatura Portuguesa.

6 de maio de 2009

AMANHÃ, 7 DE MAIO

Acontecerão duas coisas positivas.
Uma delas é o meu encontro com leitores na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, em Lisboa, pelas 19h.
Vamos falar de livros, entre outras coisas.
A segunda, tem uma origem mais antiga :)
OS AMORES DE SALAZAR...

Obviamente que, em primeiro lugar, se duvida que aquele ranhoso de Santa Comba tenha tido uma vida amorosa por aí além. Criadas, pegas de luxo a entrar pelas traseiras e uma ou outra louca disposta a distraí-lo do silício, é mais provável.
Mas o que diabo interessa isso ao país e ao cinema português?
Nada.
Mais, enquanto tivermos gente viva que apodreceu nas prisões, e toda a a outra que entristeceu num país sem esperança, é obsceno que se façam séries e filmes destes.
Sim, tudo é passível de ser representado, mas esta patética história, a tão pouco tempo histórico do fim da ditadura é uma tristeza.Não me espanta que a falta de vergonha promova produtos destes. Mas só uma palavra descreve estas promoções que nos metem pelos olhos dentro: nojentas.

5 de maio de 2009

VASCO GRANJA

Encalhei hoje na notícia. A foto na capa do jornal.
Não fiquei surpreendido, sabia, por portas e travessas, que se encontrava internado há algum tempo. Mas ainda assim.
O Vasco Granja deu-nos seca, é verdade, com alguma animação experimental, mas pelo menos, mostrou-nos que existiam outras coisas. Tínhamos direito ao nosso doce, no fim da programa: Fritz Freeling (creio que se escreve assim), frequentemente.
Crescemos a ouvir o senhor, numa televisão que, sendo a única, sentia, no meio do seu desgoverno, que tinha uma missão. Vasco Granja alterou o nosso vocabulário. Deixámos de dizer "desenhos animados" e passámos a falar em "animação".
E, ninguém o substituiu até hoje. E é pena.
Chegou ao fim da vida.
KONIEC



DEPOIS DO FESTIVAL...
vem a bonança...

3 de maio de 2009

BRAVE, BRAVE, NEW WORLD

Percebe-se a tentação de controlar a Internet, da parte de tanta gente. Pensar pela sua própria cabeça? Ter acesso ao que antes estaria apenas ao alcance de alguns? Poder invetigar até ao fim as coisas que se agitam no interior de nós? Crescer com isso? ... Perigoso.
Mais perigoso ainda, não ser tão manipulado, dada a pulverização da informação.
Penso nisto, enquanto vejo um filme de animação soviético dos anos 30. Dez anos atrás, menos, provavelmente, teria de esperar que os programadores da Cinemateca se lembrassem dele, para me "permitirem" ver. Hoje, precisei deste computador de onde escrevo e de uma ligação à net.
Está para breve, o fim de tudo isto. Não tardaremos a só poder ver o que políticos, empresários e quem vive à nossa custa, quiser. Mas vivamos, por ora, estes nossos anos hippies.
Imaginação ao poder, enquanto dura.

28 de abril de 2009

OUSADIA...

é o que aconteceu hoje no cinema S.Jorge. mais de 400 miúdos, habituados a tudo menos a música clássica e muito menos a coros, ouviram em silêncio, antes da sessão de cinema 4 (quatro) temas, tocados e cantados pela orquestra e coro de cãmara do Colégio Moderno. Duas solistas (uma delas, cantou fado à capela)conseguirem ser aplaudidas por esta plateia, desculpem lá, mas é quase voltar a dobrar o Bojador.
Era isto o que poderia ser o meu país, se não fosse povoado pela cobardia fanfarrona.

22 de abril de 2009

PEÇO DESCULPA PELA INTERRUPÇÃO (PROVÁVEL) DOS PRÓXIMOS DIAS...

...mas há um festival a consumir a semana que se segue.
Como diriam os mais pequenos... "É buééééé´daaaa Indieeee!"

20 de abril de 2009

É BOM SABER QUE OS BANCOS ESTÃO A FAZER DISPARAR OS SPREADS

Já andava preocupado com os banqueiros e investidores. Qualquer dia teriam de começar a conduzir o próprio carro ou a ir de executiva para as Caraíbas, em vez do jacto privado de sempre...

19 de abril de 2009


NOTÍCIA BOMBÁSTICA!!

Uma das primeiras notícias do jornal da tarde da SICnotícias foi a da actual governadora civil de Faro ter "sido multada por andar a 87 km por hora, no seu carro particular". Wuuuuu... É prender já esta louca do volante!!! Ainda bem que os gnrs estavam escondidos atrás de uma paragem de autocarro da terra e os media super-atentos. O que seria de nós sem esta denúncia grave?
Ainda há quem ache que os cursos de Comunicação Social em Portugal são fraquinhos. Ná, é impressão...
VEM AÍ O INDIE...


A festa de apresentação foi de arromba. Centenas de pessoas, boa música e melhor ambiente até às tantas. Não falando do pinguepongue nem dos matraquilhos.
Para a equipa que trabalha há muitos meses para fazer deste o melhor festival de cinema, foi um momento de alívio e o prenúncio de que as coisas vão correr pelo melhor.
Venham os filmes.

15 de abril de 2009


CORIN' TELLADO

Morreu, aos 81 anos, de forma coerente, de paragem cardíaca. Foi A escritora del corazon. O resto, por mais que se pele e venda entre nós, os tugas, nunca conseguirá descrever de forma tão arrebatadora o encontro entre o trintão de suíças com fios de prata e a jovem ingénua de olhos ora cor de violeta ora cor de avelã.
Quando comecei a publicar e os jornalistas "sérios" (sim, sim, já existiram, sei que parece mentira, mas não percamos a esperança, porque um dia... ó, um dia...)me queriam impingir referências ao Boris Vian e ao Flaubert, eu só respondia, a rir, que tinha lido muito era Corin'Tellado. E era verdade.
Repousa lá no assento etéreo onde subiste, asturiana romântica, que nós ficaremos cá na terra sempre tristes, sempre na esperança de encalharmos um dia nuns olhos claro, num perfume estranhamente familiar, à beira de um lago que mergulhe no ocaso.

ps: Apesar de não ser (julgo) da referuda senhora, achei que esta capa correspondia melhor ao sentimento.

13 de abril de 2009

BURRICE A DOBRAR

Hoje, a propósito da programação do IndieJúnior *, um colega chamava-me a atenção para um fenómeno a que os portugueses sempre conseguiram escapar e que as televisões portuguesas estão a enfiar, aos poucos: a dobragem.
Caso não tenham reparado, cada vez são mais os filmes (de momento, para crianças... por assim dizer, se considerarmos os trabalhos da Pixar, obras infantis) que passam dobrados na televisão e no cinema. Começaram com as animações e já vamos nas longas-metragens em imagem real. Em breve, teremos versões dobradas de filmes generalistas, até que o público, embrutecido, não aceite outra coisa. Foi assim com a Espanha, com a Itália e por aí fora. A única originalidade positiva deste país é finalmente destruída. Devagarinho, para não dar nas vistas.
Sim, a televisão é cada vez mais um sinónimo de burrice e embrutecimento. Mas é preciso não esquecer que é ela também quem "educa" a maioria da população. O que significa que aquilo que neste momento é uma opção, ver um filme em versão original no cinema ou em versão dobrada, acabará por existir apenas com a voz dos actores menores, mais ou menos conhecidos, que vivem desse expediente ou que aproveitam para ganhar mais uns trocos a imitar o trabalho de outros, de qualidade a milhas da deles.
Nunca a expressão de Orwell se aplicou tão bem: é mesmo O Triunfo dos Porcos.

* aos pais e professores distraídos, só digo 3 coisas: a) de 23 de Abril a 3 de Maio, b) o melhor do cinema mundial para a infância e juventude, c) www.indiejunior.com

11 de abril de 2009

NO FORNO DE LENHA

Estou à espera que os últimos bolos alentejanos ("costas") saiam do forno. Também arrisquei, juntando uns suspiros (alguns cobertos de canela), em último, como manda a tradição e a lei das temperaturas. Veremos.
O pão ficou bom: come-se bem, apenas com manteiga em cima.
Isso traz-me à cabeça a lembrança de um escritor meu conhecido que me despreza ligeiramente por não me drogar, furar com piercings ou, pelo menos, fumar. É verdade, não faço nada disso. Mas regressar com um tabuleiro de pão acabado de fazer, do forno até à casa, debaixo das estrelas frias, também me dá pedra. Não sei é se isso conta na contabilística urbano-depressiva ;)

10 de abril de 2009

8 de abril de 2009

NA PROVÍNCIA
com uma lareira na frente, ainda que apagadiça, o Tempo descansa um bocado.
E a gente com ele.

7 de abril de 2009

NO TIME
para organizar os múltiplos braços da roseira em que vivo.
Devorado pelo tempo que me leva o alimentar das raizes estou sempre a espetar os espinhos na carne ao lembrar-me que sou homem e que os homens caminham, quando não voam...

6 de abril de 2009

SOBRE A CAMPANHA ANTI-SÓCRATES

Primeiro que tudo... é óbvia. Quando um ex-ministro do PSD recebe em casa polícias da Judiciária para ver de que maneira se há-de lançar uma investigação contra o primeiro-ministro, só por acaso do PS, está tudo dito. Tudo se tem tentado para provocar o desgaste e a respectiva renúncia. Começou com as insinuações de Santana L. sobre sexualidade colorida do candidato concorrente, passando pela forma como obteve a licenciatura e agora a história de uma hipotética ligação a um caso de corrupção. Vale tudo. À hora que escrevo andavam os "jornalistas" a escarafunchar sobre a mãe do homem. Calculo que em seguida seja a namorada e depois os filhos. O que for preciso.
Não, não há políticos totalmente honestos e isentos de culpa. Tal como desapareceram os jornalistas que se interessavam pela verdade, do nosso país.
O que conta agora é a capacidade de produzir barulho, de se deitar abaixo quem está a ganhar mais do que nós para nos sentarmos na sua cadeira, aparentemente dourada. Até que chegue a vez dos que manipularam para o derrube serem por sua vez derrubados pela manipulação.
Para falar verdade, mete tudo um bocado de nojo.
Quando fizerem cair o Sócrates haverá uma resma de Santanas à espera. E, como as coisas estão no mundo, que os deuses nos protejam...

2 de abril de 2009

2 de Abril

Sempre que penso retrospectivamente nesta data, vejo-me a caminhar com a minha melhor roupa, bairro afora, a bater à porta dos meus amigos e vizinhos, a perguntar-lhes "se querem ir mais logo à minha festa" (que terá sandes de queijo ou fiambre e sumos e laranjada. Tenho sempre um pullover azul, tricotado à mão, sem mangas e não vou particularmente feliz, enquanto caminho pela terra batida.
Mas houve muitos outros. E alguns foram felizes.
O de hoje está a ser pacífico. Já vi o mar, as gaivotas e enchi o cabelo e os pés de areia. O que se pode desejar mais?

29 de março de 2009

FESTIVAL ALTERNATIVO DA CANÇÃO

Na verdade, fazia falta.
E o vencedor foi claramente o melhor. A frase "O povo quer dinheiro para comprar um carro novo", é lapidar. Sobretudo, se for um BMW Z3, que, na nova concepção de harmonia social da sociedade tuga é um direito mais do que adquirido.
E que, já agora, nem precisa de vir do esforço...



NADAR CONTRA A CORRENTE

Ontem e hoje foram batidos diversos recordes nos campeonatos nacionais de natação, a prova mais importante do calendário desta modalidade. Nada de especial, apenas houve pessoas a nadarem mais rápido do que todos os outros portugueses desde sempre.
Diogo Carvalho (Aveiro) e Alexandre Agostinho (Portimão) fizeram subir, de forma brilhante a fasquia.
Esteve lá a RTP a transmitir, ou pelo menos a gravar?
Estiveram vocês? Assim estiveram eles!
Calculo que o desafio de futebol de ontem e os jogos de bola de hoje tenham esgotado todos os recursos. De facto, como se poderia comparar um campeonato nacional de uma modalidade que produz atletas olímpicos com a jogatana entre o Sintrense e o Aldeia-do-Chao futebol clube? O futebol é prioritário, claro...
Sem comentários à vil tristeza.



26 de março de 2009

ENCONTROS

Hoje foi um dia muito feliz. Fui entrevistado por uma jornalista que respeita o código deontológico da profissão e gosta de ler (cada vez mais raro), almocei com o meu amigo Urbano e com a Ana, e fui falar com os miúdos do Colégio Moderno. Sobre este último item gostaria de repetir o que disse durante a palestra: nem sempre é verdade que não se deve voltar aos sítios onde fomos felizes. Às vezes, o carinho da recepção reconforta-nos a alma.
Além de feliz pelo dia, estou, sobretudo, grato.

24 de março de 2009

COMO RESOLVER UM DILEMA

Era muito cedo e estava a pensar se valeria a pena levantar-me já para escrever alguma coisa.
A campaínha toca furiosamente, resolvendo tudo:
"Vizinho: olhe que lhe estão a rebocar o carro!!!!!"

Deus existe. Embora estacione sobre ruas tortas, frequentemente...

17 de março de 2009

DE VISEU

...Melhor dizendo, do quarto do Hotel Avenida, que o cansaço acumulado dos meses de trabalho e da viagem de comboio não convidam a passear-me muito pela cidade. E, contudo, é a época em que as árvores começam a florir e os parques a ficar mais verdes.
Hoje o Cine-clube de Viseu passa O ADEUS À BRISA e vou estar para a discussão com o público. O interior organiza-se, como sempre fez, para criar eventos culturais. E ainda bem.

11 de março de 2009

SOBRE O TEMPO
Conheço poucas coisas mais chatas que ser velho antes do tempo.
Em todos os sentidos.
Mesmo no da sabedoria. De que nos serve reconhecer os esquemas de alpinismo dentro de uma organização se não nos apetece opor a eles, por exemplo?
É até penoso ter a perfeita consciência da efemeridade das coisas e da inevitabilidade do ocaso quando nos encontramos no meio de uma festa. Que deixa de ser a nossa, por isso mesmo.

5 de março de 2009

A MINHA VEZ DE DIZER "OBRIGADO"

a todos os leitores que insistem em me escrever, apenas para dizer que gostam do meu trabalho e que as coisas que imaginei em solidão acordaram outras neles e os fizeram sentir mais acompanhados.
Deste lado, dos que caminham sozinhos, também se agradecem as palavras amigas. Trust me.
TV OFF!

Nunca é de mais repetir: deixemos de ver os jornais televisivos. Os impressos vão de mal a pior, mas os telejornais esforçam-se mesmo por ganharem o prémio "Quem Deprime Mais". Hoje, por exemplo, arrancava um deles com os números do desemprego (provavelmente amplificados, para criar mais efeito), seguiam para entrevista a gente desesperada e concluíam em voz arrasada "will never make it".
Criam assim uma dependência das notícias más. Como se estivéssemos em guerra e saber o que faz o inimigo ser crucial.
Pessoalmente teria preferido ver casos de pessoas que deram a volta ao desemprego com boas ideias e trabalho. Desconfio que isso talvez fizesse menos audiência, mas de certeza seria mais útil.
A informação é manipulada para nos aterrorizar. Porque é do medo que nasce a atenção das pessoas. E desta, os lucros da publicidade, claro.

2 de março de 2009

O PAÍS COMENTADO

No meio de tanto trabalho, falta-me o tempo para comentar o país.
O que não é mau. O que não falta em Portugal é treinadores de bancada. Na política, no futebol na maneira de se nos comportarmos.
Pena que tente-se o que se tentar, perdemos sempre o jogo...
Por essas e por outras, prefiro continuar a trabalhar.

22 de fevereiro de 2009

OSCARS 2009

Espero que o de Melhor Actriz vá para a Kate Winslet. É extraordinário se olha para esta inglesa de cara redonda e se vê uma mulher alemã de traços duros. É a diferença entre ser uma grande actriz e o querer sê-lo, suponho.
RUNNING NOSE!

Depois de uma semana de desgraça, estou melhor. O vírus cansou-se, ao que parece.
Olhando-me ao espelho posso afirmar que estou em boa forma para interpretar o papel principal em "MÚMIA 3"... :)

20 de fevereiro de 2009

CASAMENTOS GAY

O desesespero é total. Entalados entre o politicamente correcto e o não quererem fazer figuras de trogloditas, os opositores só gaguejam "que não é normal", que não
é discriminar ninguém, é só "não lhe dar os mesmos direitos que a maioria das pessoas".
Os manhosos ainda tentam a manobra do referendo, porque sabem que no escuro das cabinas de voto, pode-se ser tão preconceituoso quanto se queira, sem que ninguém saiba.
Enfim, estas batalhas do domínio do simbólico são sempre acaloradas. Mas no fim, tal como os pretos puderam ir à escola, as mulheres votar e os comunistas manifestarem-se nas ruas, calculo que os homossexuais portugueses vão finalmente poder dizer: "Casar, eu? F...sss!"
GRIPE

Como não nos vendem (acho eu) antibióticos na farmácia, ainda por cima temos de estar com os olhos bem abertos na hora de pedir o analgésico/antipirético. A mesma substância pode custar 4 vezes mais, em função da marca. E se estivermos a tossir na hora da encomenda, ainda damos por nós a carregar um tubo de comprimidos de vitamina c que vai direitinho pela urina abaixo...
Raios partam os vírus, a única coisa que ainda se recebe de graça neste país!

18 de fevereiro de 2009

DOCUMENTÁRIO "ADEUS À BRISA"
Para quem não teve oportunidade de o ver no Doc Lisboa, em grande ecrã, pode agora fazê-lo, no próximo sábado, às 17 horas, no cinema S.Jorge, integrado no "PANORAMA".
Mais tarde, pelas 21.30h, será tempo para conversar sobre a produção documental, no mesmo cinema.

13 de fevereiro de 2009

ENCONTRO DE ESCRITA - PóVOA!

Hoje, um grupo de alunos (um grande grupo de alunos) recebeu muito bem 4 escritores. Estavam preparados e responderam com carinho às apresentacoes em português, galego e espanhol.
Foi uma surpresa muito agradável e um belo momento de partilha.
Deveria acontecer mais vezes.

12 de fevereiro de 2009

CORRENTES DE ESCRITA

Os encontros da Póvoa comemoram 10 anos. Uma década a convidar escritores e público local a encontrarem-se com eles e a participarem dos debates.
Um raro evento literário, verdadeiramente popular. Fazia falta que se criassem outros que conjugassem tão bem a simplicidade e a qualidade dos participantes.
Parabéns à organização.

9 de fevereiro de 2009


SOBRE FESTIVAIS DE CURTAS

Não é possível fazer um bom festival sem ver outros que de alguma forma toquem os mesmos géneros e que tenham uma boa dimensão. É o caso do festival de cinema de Clermont-Ferrand. Perdida no interior da França, geralmente com neve por esta altura, a cidade parece interessar pouco ou nada, aos franceses. E quem só ouve falar de Berlim ou Cannes, fica sempre surpreendido quando se refere que este é um dos maiores festivais de curta-metragem do mundo. Recebem mais de 6000 inscrições de filmes, têm um mercado que funcionam muito bem, com representações de diversos paíse e uma videoteca que permite ganhar tempo nos visionamentos e descobrir coisas que não encaixaram na programação. Os festivais portugueses que trabalham com curtas, estão, naturalmente todos presentes. E a maioria volta de lá com mais 200 possibilidades de escolha do que estava contar. Mais 200 filmes para discutir a hipótese de selecção. Uma trabalheira. Mas também se volta com mais conhecimento sobre a maneira de bem organizar um evento desta natureza, com novos contactos europeus e não só que abrem parcerias tão necessárias nestes tempos de recessão e por aí fora.
No meio disto tudo, quando sobra tempo, ainda se bebe um copo, prova-se a cozinha da região de Auvergne e convive-se com as gerações de portugueses que para ali partem desde os anos 60.
Os franceses podem continuar a ignorar Clermont, por mais uns tempos, enquanto isso, o progresso e a descoberta continuam a ser de quem lá vai.

29 de janeiro de 2009



PASSA DAS DUAS DA MANHÃ...
e o trabalha por hoje, que já é amanhã,termina. Antes de desligar tudo e ir dormir, olho para as coisas que escrevi aqui, para as opiniões expressas sobre este bocadinho de terra em que vivemos, a Justiça e as coisas que deveriam ser de uma maneira mais harmoniosa do que são. E, talvez por ser tarde, penso nos mares largos, na Antárctida, onde ainda não fui, nos bancos de gelo, brancos, nas águas azuis e mortais... Mas também no seu oposto, nas terras quentes que me falta conhecer, nas línguas desconhecidas que ainda não escutei, nas histórias que não poderia conceber por nascerem de culturas muito diferentes da minha. E percebo que a maior parte das coisas que nos ocupam são nada.
Descansa-me a ideia de que estas minhas preocupações são temporárias, com um mundo destes para ir apanhar.

28 de janeiro de 2009

AINDA AS CORPORAÇÕES

Era ver a cara de fuinhas contente (com a devida vénia e salamaleques subservientes, meritíssimo...) do juiz-chefe, por assim dizer, ao anunciar que não adiantava de nada que o país inteiro, psicólogos incluídos, estivesse contra a ideia de retirar a desgraçada da miúda-esmeralda a quem a amou e lutou por ela, durante anos. No fim, o primeiro juiz, que errou, acabou por ganhar. Este caso, tristíssimo, no que reflecte do corporativismo impune, em Portugal, mostra bem que quando se trata de luta de poder, de mostrar who's the boss, sacrifica-se o que for preciso.
Repugnante, apenas.

ps: na mesma cerimónia fantoche, foi curioso ver o sempre justiceiro chefe dos advogados, a zangar-se porque se violou a sacrossanta paz dos escritórios de advogados "com vista a obter provas contra os seus clientes". Ora, se os clientes são uns escroques e os advogados retêm provas disso, não só se deveriam fazer buscas, como engavetar os próprios advogados que as sonegam, com plena consciência, à justiça... Digo eu, que não fui colega de nenhum na Faculdade de Direito...


27 de janeiro de 2009

COMENTÁRIOS
Caros amigos, como já devem ter percebido, só são publicados os comentários assinados. O anonimato fica reservado ao hate-mail, como manda a tradição. Por isso, pedia que não se esquecessem de assinar, para podermos ir promovendo a discussão.

26 de janeiro de 2009

RECIBOS VERDES

São uma vergonha, desde a forma burocratizada como mês após mês se têm de preencher, quer no que representam de discriminatório, já que exigem, com ar severo, que sejamos todos muito cumpridores, num país em que as leis são usadas de forma despudorada por quem as cria, tem dinheiro para não se chatear a cumpri-las ou é espertalhão para descobrir o jeitinho para dar a volta. A Maria Z. enviou este e-mail, que transcrevo e o link para a petição. Não acredito que dê em nada, ou que haja pressa em resolver, uma vez que os nossos eleitos estão todos com licenças sem (e com) vencimento dos lugares donde (eventualmente) saíram, com contratos de aço e direito a indemnizações, mas enfim.Temos de acreditar nalguma coisa...

"Como sabem desde sempre que trabalho a recibos verdes. Não existe
trabalhador mais desprotegido que o trabalhador dito "independente" a
recibos verdes.

Não temos direito a férias, a estar doentes, licenças
maternidade/paternidade, etc... não recebemos subsídios de qualquer
ordem (baixa, desemprego, maternidade, etc.), não temos uma inspecção
geral do trabalho que nos informe ou apoie (é só para os trabalhadores
dependentes), recebemos ordens de todos e temos horários para cumprir
como todos.

Somos obrigados a pagar todos os meses a segurança social, mesmo que
fiquemos 5 meses sem receber um tostão. Somos obrigados, no final da
prestação do serviço, a entregar o recibo verde em como recebemos
(segundo a lei) mesmo que não tenhamos recebido - o único elemento de
prova que temos em nosso poder que nos serve de garantia de
recebimento ou não - irónico não é?! Se as empresas não nos quiserem
pagar (e existem muitas assim) para as finanças, quem está em falta
somos nós, os trabalhadores independentes que prestaram o serviço, não
receberam mas também não prestaram contas desse serviço (quer tenham
ou não recebido).

Por tudo isto, peço-vos, minhas amigas e meus amigos, familiares, a
recibos verdes ou não, assinem esta petição por todos nós e, quer
resulte ou não, pelo menos tentamos."

PETIÇÃO, AQUI

25 de janeiro de 2009


WHO GIVES A SHIT ABOUT LITERATURE...? NINGUÉM!

Há uns anos atrás, um dos nossos poetas, deputado e tradutor, escrevia (creio que no JL) que os alunos portugueses deveriam seguir o exemplo dos seus colegas franceses e aprenderem, de cor, uma qualquer "Chanson de Roland". Que mais valia isso do que não conhecer nada. Na altura, indignei-me por escrito, etc, etc.
Hoje, ao ver que os alunos do 11º ano ainda são atormentados com o Frei Luis de Sousa, lembrei-me dele. 99,9% odeiam (passam a odiar) esta peça, e muito menos de metade perceberá sobre que diabo se debruçou, mil anos atrás, GarretT. Parece que já são poupados às Viagens Na Minha Terra, os sortudos.
Quando se olha as obras escolhidas para estes milhares de adolescentes, para os interessar pela Literatura, temos vontade de dar um tiro na cabeça, tal a confusão que a coisa nos gera. A pergunta que se coloca não tem a ver com o valor das referidas obras literárias (e mesmo isso, poderia ser questionado...), mas o interesse em chagar a cabeça a esta gente, misturando neste esforço inútil as palavas "Literatura" e "prazer". Aparentememnte, o povo do Ministério que aprova este continuado dislate, acha que basta aos estudantes "terem ouvido falar de Camões, Almeida Garrett ou Cesário Verde. Não interessa se eles querem ler mais alguma coisa destes e muito menos se o pouco gosto pela leitura fica comprometido para sempre.
Como sabem, não tenho pena nenhuma do esforço estudantil. Pelo contrário, acho que até é pouco. O que não acho é que deva ser inútil. Ao serviço de nada. Ou pior, utilizado para os levar a confundir "seca brutal" com "desenvolvimento pela leitura".
Como é que se pode pedir a este gente que aprenda a cozinhar pastelaria fina quando não se sabe estrelar um ovo, ou sequer que eles saem do cu das galinhas?
Não seria melhor trabalhar obras contemporâneas, com incursões nos clássicos, de maneira a criar primeiro a vontade de ler e depois a obrigação de se cultivar?
O mesmo princípio se aplica ao ensino da Filosofia. As boas intenções estão lá, o problema é a abordagem e as linguagens utilizadas. Um horror e um desperdício de tempo de professores, alunos e dinheiros públicos e privados.

24 de janeiro de 2009

SOBRE CARROS E CIDADES

Basicamente, eles comen-na. Todos os dias entram milhares, rosnam, largam gases e depois arrancam de volta aos subúrbios. Passamos os dias a falar mais alto do que gostaríamos, a não conceber a ideia de que o humano e o natural possa ser vivenciado nas ruas largas. E contudo, quando nos levantamos cedo, aos domingos de manhã, percebemos que talvez não tivesse de ser assim.
Quando o presidente da Cãmara de Lisboa, António Costa, subscreve a ideia de retirar os carros da Baixa, muitas vozes se levantam e levantarão contra. São as mesmas que ainda há pouco gritavam que se deveria fumar em TODOS os restaurantes, que acham que não enfardar picanha regularmente é "fanatismo" e que não percebem por que razão se deveria deixar o litoral respirar de casas. Preferem o wiskie à àgua e a luz eléctrica à das estrelas.
Desconfio que se sentirão solitários um dia, no meio das sedas interiores do seu caixão. E, contudo, a relva continuará a crescer sobre os seus corpos.

14 de janeiro de 2009

TODOS OS DIAS SE ESCOLHE

o que fazer com a vida.
Uns lamentam-se da pouca sorte, das doenças, da cegueira dos outros.
Outros vivem embriagados, só respiração rápida, para intoxicar e não pensar.
Outros, com um pouco mais de esforço, dizem a si mesmos que isto não passa de um rio agitado e que temos por baixo uma barcaça frágil e escorregadia. Passam os dias a ser melhores marinheiros. Mesmo se nem sempre sabem muito bem para que servirá...

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10 de janeiro de 2009

A CORPORAÇÃO

Só os mais ingénuos poderão ficar surpreendidos: O Supremo Tribunal (o último, de quem vai a caminho do Céu e ligeiramente antes de se avistar o São Pedro) confirmou a decisão inicial no processo de tutela conhecido como "Caso Esmeralda". Para os mais esquecidos, relembro a reacção irritada da classe de magistrados quando a opinião pública questionou a decisão do tribunal de Torres Novas. Não fosse a teimosia dos pais adoptivos (ex...) e o barulho que os media criaram à volta e a coisa teria ficado ali mesma arrumada. Mas claro que a magistratura portuguesa não aguentaria a "afronta" feita pela maioria dos cidadãos portugueses e tudo faria para "repor a legalidade", como eles gostam de chamar aos seus gestos arbitrários, subjectivos e altamente pessoais, escudados na lei impressa. Aproveitaram as férias do Natal (obrigatórias) da criança em casa do pai biológico para aplicarem o que lhes parecia bem, desde o princípio.
O que interessa se isto fará infelizes 3 pessoas? Nada. Ingénuos os que não percebem que se trata de uma questão de Poder. Os juizes portugueses beneficiam de um estatuto de impunidade que os coloca acima de governos, parlamentos e até dos seus concidadãos. Mas sobretudo, estão para lá da Justiça. E nenhum deles, ou muito poucos, estarão dispostos a abdicar deste privilégio.
O Supremo Tribunal é formado por pessoas eleitas pelos principais partidos. O número e os nomes são negociados. Há casos de leis que passaram no Parlamento, em troca de mais um lugar para este ou para aquele partido. Há um simulacro de democracia nisto.
Este país não é mau de todo. A única chatice é que quando se trata de "fazer justiça", é bom que não se seja pobre ou não se desafie a classe judicial.
Caso contrário, bem podem chorar que o "Estado de Direito" continuará a prevalecer segundo os critérios de alguns.
Lamentável!

ps: uma boa forma de testar este amor paternal seria acrescentar à sentença, a devolução dos 30.000 euros que o pai extremoso embolsou (excluídos os honorários da advogada...). Seria curioso ver onde iria parar tanta determinação.

ps2 (escrito dias mais tarde):
Leio no Mirante que um grupo de assaltantes escapa a uma condenação mais séria, por não ter sido produzida prova suficiente. As suas caras e actos foram claramente identificados junto de dois locais distintos, através de câmaras de segurança, Acontece que o dono de um dos estabelecimentos não tinha "solicitado autorização à Comissão de Protecção de dados para o uso da videovigilância. E a outra tentativa de assalto, com montra partida e tudo, estava colocada na rua, logo não pode ser usada.
Ou seja: ficou provado, mas não ficou provado, porque a prova não levava o impresso B284/123...
Este remate, embora não assente nas razões corporativistas apontadas em cima, ainda assim prova que em Portugal o papel vale mais do que a evidência.

5 de janeiro de 2009

REVISTA "LER"

Por razões que não vêm ao caso, comprei o último número da revista de livros "Ler".
Para que conste, não sou grande admirador deste género de revistas. Nos casos internacionais são, frequentemente chatas, à falta de melhor palavra para definir um conjunto de artigos que não me apetece ler... As tentativas portuguesas ou acrescentam desinteresse ou são inócuas, promovendo light como se fosse paté.
A LER foi uma bela surpresa.
Do grafismo sóbrio à forma sólida como trata os temas for um conjunto de descobertas.
Claro que está muito bem servida de comentadores e críticos (whatever that means por cá...).
Abençoados 5 euros (que me farão gastar ainda mais em livros, helàs!)

4 de janeiro de 2009

O mElhor da Música TUGA

:) E para arrancar o ano, a música desta jovem promessa da música portuguesa. Desde pequeno "que se punha em frente ao espelho", diz ele, acrescentando que o seu "sonho se está a tornar realidade. Tocante.
Embora este vídeo seja interpretado por admiradores, há uma entrevista com o original aqui



Para quê estudar Música quando o sucesso está ao alcance de qualquer microfone.
Força, companheiro!
2009
O passar do tempo traz a algumas pessoas uma coisa formidável: deixam de ter "desejos" que dependem das estrelas para o ano seguinte. Passam a ter objectivos. E isso, meus amigos, é saber que se monta a cabeça do touro enquanto ele esperneia.

30 de dezembro de 2008

2008... está no ir... AGARREM-SE QUE VEM AÍ 2009
(o final da frase vem de um cartoon do António Jorge Gonçalves)


Em termos pessoais, 2008 não foi dos piores. Melhorou até bastante face aos dois anos anteriores. Tenho casa, comida, trabalho e um romance a caminho. Que mais poderia desejar? Férias em Zanzibar? Bom... Isso, sim. Mas tem sempre de se deixar lugar para os projectos difíceis.
Como espero estar longe da net até ao final do ano (2 ou 3 dias), aproveito para desejar a todos um ano bom. Isso mesmo, 12 meses em que o destino sirva para nos melhorar a todos. Mesmo que isso às vezes vá pelo lado mais trabalhoso :)
Aos (raros) inimigos, desejo o melhor. Sobretudo que utilizem a energia que desperdiçam comigo nalguma coisa que lhes dê alegria e os ajude a crescer como pessoas. Isto dura tão pouco que todo o tempo não chega para nos focarmos no amor. Quanto mais nos ódios de estimação...

Boa passagem de ano.
Vem-nos daqui a...,olha: para o ano.

28 de dezembro de 2008

O PIOR DA MÚSICA PORTUGUESA 1

Nesta altura de festa é tempo de pensar nos mais desfavorecidos... (lol)

24 de dezembro de 2008

VALHA-NOS O ALTÍSSIMO!

Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:

22 de dezembro de 2008

FELIZ NAVIDAD!

A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.





ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.

21 de dezembro de 2008

EU E OS OUTROS

Quanto mais o tempo passa, mais me responsabilizo na minha relação com os outros.
Ia desenvolver o tema, mas não me parece que possa ser mais elucidativo do que fui em cima.

17 de dezembro de 2008




CATAGUASES SUBMERSA

O meu amigo Ronaldo Cagiano, mineiro convicto (o que é uma redundância, mas ainda assim o assinalo), envia-me fotos da sua terra, provisoriamente amantizada com Iemanjá. Como os meus leitores saberão, esta cidade do estado de Minas Gerais é a verdadeira capital do Brasil. A grande prova é o número de escritores que tem produzido ao longo dos anos e que se espalham pelo país e pelo mundo fora.
Numa saudação, a seco, aqui fica um abraço e a foto.

16 de dezembro de 2008

A TECLA

carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.

Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.

Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...

8 de dezembro de 2008

NÃO ÉS BOA MÃE PORQUE NÃO ME QUERES COMPRAR NADA!

gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.

7 de dezembro de 2008

A CAMIONETA

Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.

4 de dezembro de 2008


UFA! ESTAVA A FICAR PREOCUPADO...

...com os salários dos administradores dos bancos. Numa época de tanta ralação, com toda a gente a descobrir que as fortunas da banca assentam (além da exorbitância dos juros e comissões)em falcatruas de toda a ordem, estes senhores (não há "senhoras" no processo, já que isto de dinheiro exige uma confiança que as mulheres, enfim... Já se sabe...Nem fica bem desenvolver... A mulher, o cavalo e o selim... O fado, etc...) precisam de algum conforto. Saber que em média, quer em bancos públicos, quer privados, um administrador recebe 70.000 euros por mês, já tranquiliza. Bastava ver a sala de entrada (na televisão, claro) do BPP para ter uma noção que estamos a lidar com gente muito acima dos portugueses. 70.000 euros enquanto trabalham e alguns milhões de indemnização quando são despedidos, é um mínimo!
Afinal, agora que tanta gente já vai receber 450 euros brutos... há que manter as distâncias.

ps: entendo agora melhor, a razão porque um ex-bancário, agora poeta muito apreciado pela imprensa cor-de-rosa, se surpreendia com desdém à hipótese de ter de viajar com uma companhia aérea. Não concebia outra coisa que ir em jacto privado. Claro. Agora faz sentido.

1 de dezembro de 2008

A DAMA DO VELHO CHICO

É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.

"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)

28 de novembro de 2008

A NORTE

Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".

26 de novembro de 2008

A REVISTA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"

24 de novembro de 2008

KEEP IT ZEN!

Astrólogos, tarólogos e outros divinatólogos estão todos de acordo para a semana que vai começar: Vem aí a desgraceira.
Fazer o quê perante esta unanimidade :)?

21 de novembro de 2008

MEMORIAS DO TEMPO LARANJA

Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.

20 de novembro de 2008

ESCOLAS

Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?

18 de novembro de 2008

PEÇO DESCULPA MAS CHEIRA-ME A ESTURRO.

Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.

17 de novembro de 2008

DOS JORNAIS

À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...

16 de novembro de 2008


DA PINTURA
Sempre foi para mim um fonte de mistério. Pelo que revelava ou eu achava que me revelava. Mais tarde porque me permitiu dar forma aos fantasmas que me consumiam por dentro. Depois, quando a escrita apareceu e comeu tudo à sua volta, desapareceu do mesmo modo: misteriosamente, como se nunca tivesse existido na minha vida.
Nos últimos tempos, enquanto aprendo técnicas de óleo, no meio de frutas e naturezas mortas revela-me um novo mistério. O de trazer da sombra ou da luz uma forma que sempre ali esteve. À espera de um pincel desajeitado, mas ainda assim, ansioso pelas pequenas revelações.

14 de novembro de 2008

MUNDO CATITA
Vai finalmente estrear a que é, para mim, a melhor série de televisão alguma vez feita em Portugal.

Um Mundo Catita - Estreia 16/11/2008 RTP2 - 23:30 (vá lá, atendendo à bola vermelha GIGANTE que vão ter e pôr ao canto do ecrã, não passa muito tarde!)

12 de novembro de 2008

DA RAZÃO E DO OVOS

Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.

8 de novembro de 2008


MOMENT OF ZEN

Não vou mentir: estou a torcer a 100% por mais uma candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa.
Numa altura de crise, a chegada de um clown com um historial destes é sempre bem-vinda.
É começar a preparar já para a risota!
O MAR POR CIMA

A Julie, amiga e leitora do blogue, dos USA (e vilanovense de família e coração) enviou-me o link para este vídeo.
Para os que leram O MAR POR CIMA, talvez se faça alguma luz :)

7 de novembro de 2008

ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES ANÓNIMOS QUE NÃO TÊM TEMPO PARA ESCREVER PORQUE USAM TODA A ENERGIA PARA METER A SOPA NO PRATO DOS FILHOS

"Olá, o meu nome é Possidónio Cachapa, e estou sem escrever há 89 dias"
OBAMA

Parece-me bem.